Encontro com a ilusão
Há um momento inevitável no caminho de todo aquele que busca retornar à própria essência: o encontro com a ilusão. Não como um erro a ser negado ou um desvio a ser evitado, mas como uma estrutura que, silenciosamente, sustentou por tanto tempo a forma como nós percebemos e nos movemos no mundo.
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A ilusão não se apresenta, à primeira vista, como algo falso. Pelo contrário, ela se disfarça de verdade íntima, de identidade, de proteção. Ela habita os padrões repetidos, as crenças herdadas, os papéis que assumimos sem questionar. E é justamente por isso que não pode ser simplesmente descartada — ela precisa ser reconhecida.
Voltar para casa, retornar à essência, não é um movimento de conquista, mas de desvelamento. Não se trata de se tornar algo novo, mas de dissolver aquilo que nunca fomos. No entanto, essa dissolução exige coragem, pois implica olhar diretamente para as camadas que construímos para nos sustentar — e admitir que muitas delas são ilusórias.
Reconhecer-se como presença sagrada não é um ato de afirmação superficial, mas um processo profundo de desidentificação com o eu falso. É perceber que aquilo que julgávamos ser o “eu” — suas histórias, seus medos, suas certezas — é, em grande parte, uma construção de sobrevivência. E que, por trás dessa ilusão sobre a personalidade, há um campo onde a verdade se expressa, íntegro, inato o campo de verdade.
O encontro com a ilusão, portanto, não é um obstáculo no caminho — é o próprio portal. É ao enxergá-la sem resistência, sem fuga e sem julgamento, que ela perde sua força. E, nesse instante, algo se revela: não como uma nova descoberta, mas como um reconhecimento antigo, quase esquecido.
Voltar para casa é lembrar.
É reconhecer nunca em tempo algum nessa encarnação estivemos próximo da Verdade e muito menos da Liberdade, por isso estivemos distantes do AMOR por tantas eras.
Morada dos Mestres
Créditos:
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- Autora: Márcia Vasques
- Arte & Edição: Larah Vidotto